quinta-feira, 19 de junho de 2008

A dura

sexo no carroEu e Rejane estávamos loucos para namorar. Universitários, a caixa estava tão baixa que não dava para pagar o motel mais barato da cidade. Nem mesmo se dividíssemos as despesas (oh céus!). Por este motivo, a única solução que encontramos foi subir as Paineiras até o primeiro mirante, para namorar em paz.

Naquela época (início dos anos 80), a cidade não apresentava os perigos que hoje obriga a população a ficar ilhada em suas casas. Não havia tanto problema namorar dentro do carro. Por isso, ficamos à vontade, admirando a paisagem e logo, dos beijos passamos ao amasso e daí a outras funções.

Não percebemos o tempo passar. Papo vai, papo vem, vira pra cá, vira pra lá e coisa e tal... o tempo passou. Imagina o tamanho do susto que tomamos ao escutar as batidas na janela da minha velha e querida Variant ocre: Toc toc toc.. Três, quatro vezes...

Esfreguei a mão no vidro pra desembaçar e vi um cana, apontando sua lanterna pro interior do veículo enquanto outro, parado ao seu lado anotava a placa do carro. Meu coração disparou! Bati na janela pra avisar que eu já sabia da presença deles enquanto tantava vestir a calça e, ao mesmo tempo pedir calma pra Rejane e dizer pra ela ficar dentro do carro.

Abri a porta e saltei. Ainda estava um pouco tonto, devido ao vinho tinto e aos beijos. Mas consegui me ajeitar e chegar perto dos caras.

"- Boa noite..."
"Boa noite", trovejou um deles. "- Documentos do veículo!"
Mostrei.
"Quero ver os seus documentos também!" esbravejou.
Mostrei, com um sorriso no canto da boca...

E a dura continuou, pagando geral:
"-Isso é lugar público. Não é lugar pra fazer o que vcs estavam fazendo! Posso levar vocês dois pra Delegacia se entender com o delegado! Vcs tem que ir a um motel!"

Eu, totalmente sem graça, comecei a me justificar:
"- Sabe o que é, seu guarda, estou caído de grana... estudante... se eu tivesse dinheiro não estaríamos aqui, com certeza! Além disso, não havia ninguém aqui."

Numa tentativa desesperada, sem mais nenhum argumento convincente (mas certo de que não estávamos ofendendo ninguém com o nosso namorico), pedi com toda a cara de pau de Deus me deu:

"- Libera a gente aê, seu guarda... ninguém viu... Deixa a gente ir!"

Naquele momento os caras sentiram que não iriam ganhar nada além de um obrigado e disseram pra gente descer na frente que eles iam nos escoltar até os limites da floresta.

Assim foi feito. Entrei no carro e enquanto tentava fazer o possante pegar olhei pra Rejane que ria da situação sem graça. Ri também e o carro pegou. Demos tchau pros zelosos servidores do Estado e começamos a descida, escoltados e rindo pra caramba!

12 comentários:

Nina Victor disse...

Hoje em dia acho que o pessoal não deve ter muito sossego se quiser namorar no carro, pelo menos no Rio de Janeiro; com tanta violência, será que alguém se arrisca?...

Beijo! :)

Helio Jenné disse...

Hummm... tem razão Nina, hoje em dia, no Rio, não dá mais pra namorar dentro do carro. Os riscos são muitos! Beijos! :)

Nina Victor disse...

Vamos colecionar selinhos?

http://aobelprazer.blogspot.com/2008/06/selo-alto-astral.html

Beijo! :)

Helio Jenné disse...

Oba, vamos colecionar selinhos, rs! Obrigado, Nina, por mais este carinho! Beijos! :)

Jomar disse...

Grande Hélio, obrigado por me mostrar mais este blog, parabéns!!!

Helio Jenné disse...

Legal que vc curtiu, Jomar. Pelo que vi vc também gosta de blogar! Vamos trocar mais figurinhas, isto é, links, rs! Um forte abraço!

Monika Baumann disse...

Que situação hein, amigo?!
Eu não gostaria de passar por isso, mas também nos tempos em que nos encontramos, nem namoro na frente do portão é seguro, é aí que fico pensando quando meu filho (6 anos) crescer vou enlouquecer de preocupação... Ai, ai, ai!!!

Helio Jenné disse...

É verdade, Monika. A situação da violência urbana tem aumentado exponencialmente, mas naquela época (78, 79) o verdadeiro perigo eram os "canas", rs. Eu acredito que as coisas podem melhorar se todos investirem no amor, a melhor arma contra toda a forma de violência!
Beijos!

Iara Alencar disse...

Oi helio, não conhecia esse blogue.
Dentro do Carro??é muito pouco espaçoso você não acha??

Helio Jenné disse...

Olá Iara, realmente é apertado mas isso provoca até certos momentos especiais, rs. Obrigado pelo comentário e me aguarde, que sua poesia é muito rica e adorei le-las!
Beijão!

Monika Baumann disse...

Olá! Passando para avisar que tem uma lembrancinha pra ti lá no Toques de Prazer. Bjuuu e uma noite maravilhosa pra ti.

Helio Jenné disse...

Oba, o que será? Vou voando ver qual é a surpresa, rs! Beijos e ótima noite pra você também, Monika!