Mostrando postagens com marcador dos 30 aos 40. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador dos 30 aos 40. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Uma volta ao passado, com queijo do reino e cafezinho

Queijo tipo Reino
Hoje mais cedo, quando fui ao mercado, não resisti e enfiei o pé na jaca, ou melhor, na lata do queijo tipo reino. 
Há tempos eu a paquerava e, a cada vez, as lembranças da minha irmã Lillian Jenné de Assis chegavam fortes: costumávamos jogar buraco na mesa da sala, bebendo um cafezinho e comendo fatias fininhas de queijo reino, com palito (para não engordurar os dedos). Só que na época, ela costumava comprar da marca Tirolez e hoje, só encontrei Polenghi. Mas tudo bem. Valeu demais, apesar de agora eu não jogar mais buraco, fiz um singelo ritual: ao abrir a meia-lata, sentei na sala de casa e, pensando em nossos bons momentos, comi algumas fatias do queijo, bebendo o cafezinho da Wanda Jenné. Tudo em família!

domingo, 17 de agosto de 2008

Um pé lá e outro cá

Mind the Gap, Cuidado com o vão entre o trem e a plataformaPressão total: o material precisava ir para aprovação do cliente no dia seguinte e eu sem impressora... (felizmente esse problema acabou).

Coloquei o sapato mais confortável (havia comprado um número maior, molinho, macio, uma beleza!) e fui lá. Corri até o bureau que prestava serviços de impressão no Centro da cidade com o zip disc (isso foi antes de inventarem o cd...).

Trajeto rápido. Nessa época eu morava pertinho da estação São Francisco Xavier, na Tijuca e o bureau era na Uruguaiana. Vapt vupt.

Entreguei o trabalho e voltei no mesmo passo, pois havia mais serviço esperando. A essa altura (devia ser umas 16h) o Metrô começava a encher e eu cheguei no momento em que a composição apitava, avisando que iria fechar as portas.

Desci as escadas da estação correndo pra não perder o trem e consegui! Mas antes que pudesse pensar, aconteceu o inesperado: caí no vão.

Minha pasta voou para dentro do vagão, abriu e espalhou alguns papéis. E lá estava eu, como um siri arreganhado, com uma das pernas enterrada no vão e a outra ainda na plataforma, fiquei preso e não tive força para me erguer. A dor era imensa e enquanto tentava sair dali, rezava para o trem não andar, pois eu seria facilmente esmagado naquela situação.

"- Aceita ajuda?" perguntou um passageiro. "Sim, por favor!", respondi, estendendo meus braços. Na mesma hora ele chamou o outro e me içaram do fosso.

Dentro do vagão lotado, catei minhas coisas no chão e fiquei de pé, me apoiando naquele ferro central.

Minha expressão devia ser de muita dor, pois logo uma alma caridosa ofereceu o lugar e eu aceitei. A viagem foi longa e dolorosa. A dor aumentava a cada minuto quando finalmente saltei na minha estação.

Capengando, cheguei em casa e capotei na cama. Ainda bem que a Kiki estava em casa e me socorreu da melhor forma, aplicando gelo na perna roxa e alguns beijinhos...

Fiquei uma semana mancando, com um inchaço roxo na coxa e a certeza de prestar sempre muita atenção para nunca mais cair no vão do Metrô!

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Pára esse ônibus!

Mais uma vez fui contratado para trabalhar num festival de música que levava o nome de uma marca de cigarros. Como da vez anterior, minha atuação seria na área de transportes.

Pois bem, lá estava eu, no saguão do hotel Rio Palace à espera da entourage do supergrupo Bon Jovi que iria filmar um vídeo nas areias da praia de Copacabana. Do lado de fora, uma multidão de adolescentes ruidosos se acotovelavam e descabelavam por trás da linha de proteção feita pela polícia.

O grupo ainda não havia descido dos quartos mas o motorista do ônibus contratado para levar a equipe reclamava que já havia passado do seu horário. Disse que precisava da orientação dos seus superiores e foi telefonar. Stress.

Logicamente, neste momento, o pessoal do Bon Jovi apareceu no saguão e a gritaria aumentou em 50 decibéis. Os caras saíram pela porta e entraram no segundo ônibus estacionado na frente do hotel, pois o primeiro estava com a porta trancada.

"- Beleza" pensei.
"- Vai nessa motorista", falei. "Eles vão dizer em que ponto da praia vão gravar".

O ônibus saiu devagar, enquanto os policiais paravam o trânsito meio engarrafado e afastavam as pessoas.

Respirei aliviado, mas só até a coordenadora dos transportes chegar e perceber que os roqueiros haviam usado o ônibus que deveria servir o Tears For Fears. Ai caramba... sobrou pra mim!

Saí correndo atrás do ônibus, pela calçada do Posto 6, para avisar que o motorista deveria voltar pro hotel, assim que desembarcasse o povo do rock. Nunca corri tanto nem tão rápido!

Botando os bofes pra fora, com meio palmo de língua, alcancei os caras alguns quarteirões depois. Fiz sinal pro motorista, que abriu a porta e me deixou entrar.

Até que valeu. Quando subi no veículo os passageiros saudaram o "velho novo amigo" com um sonoro "Hi Scubi". Sem fôlego respondi com o polegar pra cima e um sorriso disfarçando o cansaço. Passei o recado pro motorista que era pra ele voltar pro hotel após o desembarque da troupe, que saltou em frente ao Copacabana Palace. Ali estava hospedado Roger Taylor, o baterista do Queen (mas essa é outra história).

Após desembarcar o Bon Jovi (banda e equipe de filmagem, com câmeras, tripés etc.) voltamos para o Rio Palace, enfrentando um tremendo engarrafamento de fim de tarde na praia mais famosa do mundo. O motorista e eu, agora curtindo o ar condicionado do ônibus especial, tranquilo pela missão cumprida.

domingo, 8 de junho de 2008

O dia que tirei onda na limo do Bob Dylan

Em 1990 a amiga Denise ligou e perguntou se eu estaria a fim de trabalhar no Festival Hollywood Rock. É claro que aceitei! Naquele ano a propaganda de cigarros ainda não havia sido proibida e o festival ia arrebentar com a presença de artistas do calibre de Engenheiros do Hawaii, Capital Inicial, Eurythmics, Marillion, Tears For Fears e ninguém mais ninguém menos que o mestre Bob Dylan. Denise coordenava a área de transportes do evento e lá fui eu ralar como seu assessor, feliz da vida! O evento no Rio foi na Praça da Apoteose.

A pré-produção de um evento desse porte é uma lasqueira. Cada artista envia dados completos sobre a sua entourage e cabe à Produção equalizar toda a movimentação das equipes: desde a hora que o artista, sua banda e seus técnicos chegam no aeroporto, quando começa a montagem do palco de cada um, marcar hora para cada turma de técnicos de cada banda ir pro "gig place", horários de ensaio, ida e volta de cada grupo etc. Enfim, é a maior pauleira!

Mr. Zimmermann (Bob Dylan) havia requisitado uma limousine para ficar 24h à sua disposição. Só que ele não saiu nenhuma vez do quarto. Assim, fiquei amigo do motorista contratado para atende-lo, pois ficávamos basicamente o tempo todo no saguão do hotel.

Na noite do show, Bob decidiu seguir no ônibus com a sua banda para o show e dispensou a limo! Não acreditei no que vi e, de imediato liguei pra Kiki, que havia ficado na casa da sua mãe, e combinamos a hora que iria pegá-la - de limousine - para irmos ao show. E assim foi feito. Peguei a Kiki na Lagoa e juntos seguimos para o show, super animados.

Ao chegar na Praça da Apoteose, entramos pelo portão dos artistas. Ao ver a limo chegar, uma multidão cercou o carro.

Loucura, loucura, loucura! Ficávamos dando tchauzinho e a galera sem saber quem era o "astro" que chegava: Era eu, pessoal!

Curtimos muito naquela noite e, mais uma vez, aprendi que nada melhor que ser simpático com os outros e, por isso, pude tirar uma onda na limo do Bob Dylan.

Rock and Roll!

domingo, 18 de maio de 2008

Aniversário em cacos

A festa foi ótima. Todos os convidados se divertiram e dançaram a valer a noite toda!
Tudo estava maravilhoso e eu estava muito feliz por comemorar mais um aniversário com meus melhores amigos.
Maria Cecília havia preparado uma senhora comemoração para mim! Ela sabia organizar todos os detalhes muito bem e tudo estava a contento: do som ao bolo, passando pelos petiscos e bebidas para todos os gostos!
Naquela noite muitos amigos foram ao nosso apartamento no quarto andar do prediozinho no Grajaú para comemor aos ar.
No entanto, uma de minhas maiores preocupações aconteceu: algum distraído colocou uma tulipa cheia no parapeito da janela... E isso não pode, de forma alguma!
O que aconteceu depois disso, você já imagina né?
O copo caiu, estilhaçando-se completamente no quintal dos casal Watson.
Eu vi a cena e, na mesma hora, cheguei na janela e gritei:
"- Desculpa seu Watson! Depois eu limpo o seu quintal!"
E a tome festa!
Quando o último convidado saiu, já era tarde... madrugada. E concordamos em deixar a limpeza do quintal dos Watson para o dia seguinte.
Dormi o sono dos justos e acordei um ano mais, digamos, experiente...
Após o primeiro banho do primeiro dia do resto da minha vida cortei uma bela fatia do delicioso bolo recheado de doce de leite, coloquei num prato e, munido de vassoura, pá de lixo e toda a cara de pau que pude arranjar, abri a porta.
Qual não foi a minha surpresa ao ver todos os cacos do copo cuidadosamente "arrumados" sobre o capacho!
Imediatamente recolhi os resquícios do descuido da noite anterior e joguei no lixo.
Mesmo assim, desci e toquei a campainha:
"- Bom dia seu Watson! Vim me desculpar pelo copo quebrado no seu quintal ontem à noite. Sinto muito! Trouxe um bolinho pra adoçar a nossa amizade! Mais uma vez, me desculpe. Eu ia limpar o seu quintal. Não precisava se incomodar em recolher os cacos!"
O Seu Watson então, com uma cara de pau ainda maior que a minha, retrucou:
"Pois é, Helio. Recolhi o vidro quebrado porque alguém podia se machucar..."
E eu, num misto de raiva contida e vergonha só consegui concordar com a sua lógica.
Elementar, meu caro Helio. Não se coloca copo em parapeito.

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Fim de semana agitado com Acidente

Em 8 de junho de 1984 o Acidente foi convidado para tocar em Três Rios, abrindo a noite que teve o Paralamas como show principal.

O Aça havia lançado o seu segundo LP, o Fim do Mundo (foto) no final de 83 e fizemos uma excelente apresentação: casa lotada (cerca de 3 mil pessoas), aplausos, euforia.

Após o show eu, Kiks e Malária, excitados com o sucesso do evento não queríamos dormir e decidimos dar um rolé pela região, conhecer algum recanto bacana, coisa e tal. Rodamos tanto que nos perdemos!

Bem, era um passeio e assim continuamos a errar pelas estradas vicinais. Resumo da história: conseguimos encontrar o rumo de volta e chegar no hotel onde estávamos hospedados alta madrugada, pouco antes do amanhecer! Cansados do show e do passeio, capotamos.

Acordamos na rebordosa da noite anterior e mesmo assim decidimos rodar pela região. De dia, o passeio seria diferente!

Fomos a Paraíba do Sul, onde experimentamos a famosa água mineral de lá, devido às suas propriedades medicinais. Em Vassouras, fizemos um "pit stop" pro cachorro-quente.

Barriga cheia, seguimos no passeio e, na estrada entre Ipiabas e Conservatória aconteceu o acidente que poderia ter encurtado nossa história.
.
Papo vai, papo vem, de repente só escutei a voz de pavor do Mala que, aos berros anunciava:
"- Fudeu! Fudeu!! FU-DEU!!!

O Chevette desgovernado desceu uma ribanceira que parecia sem fim! O capim alto cobria o teto do carro, que abria caminho no matagal sem saber onde ia parar. Trancos e barrancos, momentos de pavor! Sem noção!

De repente um estrondo e o carro estancou.

Nos entreolhamos, ainda assustados.

Estávamos parados ao lado da estrada, cerca de dois metros abaixo do nível do asfalto. O eixo traseiro quebrou ao passar por uma vala e não tinha como sair dali sem ajuda.

Subimos de volta pra pista para pedir socorro, que chegou tempos depois, na forma de uma camionete de entrega de leite. Amarramos uma corda e o carro foi içado para a estrada e rebocado até Conservatória, onde passamos o resto do dia e a noite, aguardando o reboque que o Mala pedira.

Que situação! Apesar do acidente, soubemos ao menos aproveitar o sábado para curtir um pouco a cidade minúscula mas bastante simpática. No domingo, o reboque chegou e o pai do Mala veio com seu carro para nos levar de volta ao Rio.

Que fim de semana agitado, com várias emoções diferentes! Quer saber?

Acidente só é bom no palco, no vinil e no cd!

PS. Valeu Mala, pelos detalhes!

segunda-feira, 28 de abril de 2008

A cantada


Era uma daquelas tardes amenas de sábado.
Para nos refazer de uma semana atarefada, decidimos passar na delicatessen da esquina para um abastecimento emergencial de guloseimas: Patês, frios, tortas e biscoitos eram os objetos do nosso desejo.
Na loja, Jorge (a quem chamávamos carinhosamente de - leia com sotaque espanhol, sem rir: Jorge Rojo Horroroso) nos atendeu com a mesma atenção de sempre. A loja estava vazia e nós, nos esbaldamos. Em cada prateleira, mais delícias nos aguardavam. A escolha era difícil, devido à variedade de petiscos.
Num dado momento, cheio de romantismo, senti a necessidade de flertar com a minha gata e, segurando-a pela cintura, cantrolei baixinho em seu ouvido "- Beijar, tua boca sensual...".
Neste exato momento, abri o olho e lá estava ela, a minha mulher que, ao lado de Jorge, riam da situação esdrúxula:
Eu havia abraçado uma cliente que acabara de entrar na lojinha e eu não reparei. Que situação!
Pra completar a cena, o marido dessa moça estava ao volante do carro, estacionado bem na porta da loja, com cara de poucos amigos.
Imediatamernte fechei a conta e, na saída, me escangalhando de rir, cheio de sacolas e abraçado a minha esposa, bati no ombro do motorista dentro do carro e expliquei:
"- Foi mal, cara. Pensei que fosse a minha mulher!"

domingo, 27 de abril de 2008

Falas Português?

A tarde de sábado é sempre uma ótima oportunidade para se curtir uma praia, ainda mais se o dia estiver lindo e rodeado de amigos do peito.
Admito que eu costumava fazer corpo mole para ir à praia. Afinal, encarar a Grajaú-Jacarepaguá, engarrafamentos monstruosos etc. me desanimavam. Além disso, branco do jeito que sou, não posso me dar ao luxo de pegar o sol brabo, mesmo com protetor, barraca e todos os cuidados necessários.
Minha mulher, ao contrário, adora praia e sua pele de filha de bahiana aguenta bem o sol escaldante do Rio de Janeiro. Assim, para me convencer, ela montou um esquema infalível: formou um grupo grande, formado por nossos melhores amigos e assim, a praia passou a ser um evento bacanudo para mim.
Uma dessas belas tardes, após enfrentar um trânsito monstruoso, conseguimos chegar na "nossa praia" (no Recreio, em frente ao muro da Reserva Ambiental). Local tranquilo e geralmente menos lotado.
Estacionei o Chevette Hatch azul e, ao chegar na areia, não resisiti. Ao ver aquele marzão lindo e convidativo, largamos as tralhas e corremos para a água. Eu, minha mulher e o Bê, que tinha ido com a gente. Juntos, entramos correndo na água e furamos a primeira onda que encontramos.

Isso foi um erro.

O mar estava mexido e, sem reparar, mergulhamos exatamente num canal com uma correnteza que nos arrastou para longe da praia e continuava a nos puxar cada vez mais.
A minha gata foi a primeira a perceber a roubada em que nos encontrávamos. Avisou que não estava conseguindo voltar e pediu socorro a um surfista que estava perto. Conseguiu uma carona bacana até a areia, segurando na prancha do cara.
Lá ela mobilizou a galera que chamou um salva-vidas.
Enquanto isso, eu e Bê continuávamos tentando voltar, sem sucesso e já cansados. A corrente do canal era muito forte.
O salva-vidas entrou correndo na água, nadou nadou e, ao chegar perto de mim, ao ver o cara mais branco da praia, louro e de olhos azuis gritou:
"-Falas português?"
Eu, quase me afogando, ri e falei que sim.
Ele então mandou a gente nadar para a esquerda, que tinha um banco de areia.
Foi o que fizemos.
Depois do susto, aprendemos uma lição: Jamais devemos entrar afoitamente no mar, mesmo se aparentemente, estiver tranquilo.